quinta-feira, 31 de janeiro de 2013


Barroco no Brasil: Contexto Histórico, Características e Obras
                                    Resumo:



O estilo Barroco teve sua origem na Itália e rapidamente se espalhou por toda a Europa chegando inclusive ao Brasil, na época ainda uma colônia de Portugal. O Barroco no Brasil ou Barroco Brasileiro, iniciou-se por volta do século XVII com a instalação dos jesuítas e missionários no solo que até então era ocupado principalmente por nativos.Na época eram constantes os confrontos entre portugueses e índios, especialmente nas tribos mais hostis que não aceitavam a dominação.

Enquanto a colônia vivia esse contexto social a Igreja Católica enfrentava problemas em toda a Europa com a disseminação das religiões protestantes e a crescente perda de fiéis. Sua reação ficou conhecida como Contra-Reforma e foi o pontapé necessário para que a arte e o estilo de vida das pessoas sofresse fortes alterações. As produções artísticas perderam o caráter liberal do Renascimento e passaram a estar intimamente ligadas a teologia e a conceitos religiosos.

.Esses efeitos foram sentidos no Brasil, mas de forma um tanto diferente. Além de chegar tarde na colônia, o Barroco não possuia aqui a sofisticação europeia. A situação econômica das terras que hoje formam o Brasil não permitia grandes investimentos na formação de artistas, o que tornou a produção tecnicamente inferior a europeia mesmo com o apoio da Igreja Católica que se tornou uma grande mecenas.

.É por isso que os grandes legados da arte barroca possuem teor sacro como esculturas de cenas bíblicas, pinturas com representações de anjos e a inconfundível arquitetura das igrejas do período. Não podemos deixar de citar Aleijadinho, grande nome das artes plásticas reconhecido até os dias de hoje. A literatura também teve personalidades memoráveis como o poeta Gregório de Matos e o Padre Antônio Vieira.

.O estado de Minas Gerais sofreu o que chamamos de povoamento tardio, uma vez que ele ocorreu de forma mais recente. O resultado disso foi o surgimento do que alguns críticos chamam de Barroco Mineiro. Existe uma grande polêmica já que alguns defendem que não se trata de uma versão do Barroco, mais sim um estilo independente sucessor: o Rococó. Barroco Mineiro ou Rococó, o fato é que as cidades de Minas ganharam ares mais sofisticados, mas sem perder a essência brasileira que Aleijadinho e Mestre Ataíde conseguiram incrementar ao estilo europeu. Os valores regionais foram incorporados criando características únicas, brasileiras.

O período era sem dúvida de muita opressão. A igreja lutava contra os reformadores por meio da Inquisição e instaurava um clima de medo constante em seus fiéis que se viam divididos entre o material e o espiritual, o prazer e o dever. Ao mesmo tempo eram mostradas cenas bíblicas que remetem ao amor e à compaixão, como os momentos de dor imensa do sacrifício de Jesus Cristo.

.Mesmo com toda a influencia dos colonizadores, não podemos negar que o Barroco foi o primeiro estilo que adquiriu as características das pessoas que aqui estavam e ajudou na formação da nossa cultura. Até hoje os centros históricos de Minas Gerais e da Bahia principalmente são protegidos pela UNESCO já que contam um pouco da história de nosso país.


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                                                 Principais Autores do Barroco



















Padre Antônio Vieira 













Manuel Botelho de Oliveira

















               


            Bento Teixeira

















Gregório de Matos Guerra
















                                        Características do Barroco

O estilo barroco nasceu em decorrência da crise do Renascimento, ocasionada, principalmente, pelas fortes divergências religiosas e imposições do catolicismo e pelas dificuldades econômicas decorrentes do declínio do comércio com o Oriente.
Todo o rebuscamento presente na arte e literatura barroca é reflexo dos conflitos dualistas entre o terreno e o celestial, o homem (antropocentrismo) e Deus (teocentrismo), o pecado e o perdão, a religiosidade medieval e o paganismo presente no período renascentista.

1) A arte da contrarreforma

A ideologia do Barroco é fornecida pela Contrarreforma. Em nenhuma outra época se produziu tamanha quantidade de igrejas, capelas, estátuas de santos e monumentos sepulcrais. As obras de arte deviam falar aos fiéis com a maior eficácia possível, mas em momento algum descer até eles. A arte barroca tinha que convencer, conquistar e impor admiração.

2) Conflito entre corpo e alma

O Renascimento definiu-se pela valorização do profano, pondo em voga o gosto pelas satisfações mundanas. Os intelectuais barrocos, no entanto, não alcançam tranquilidade agindo de acordo com essa filosofia. A influência da Contrarreforma fez com que houvesse oposição entre os ideais de vida eterna em contraposição com a vida terrena e do espírito em contraposição à carne. Na visão barroca, não há possibilidade de conciliar essas antíteses: ou se vive a vida sensualmente, ou se foge dos gozos humanos e se alcança a eternidade. A tensão de elementos contrários causa no artista uma profunda angústia: após arrojar-se nos prazeres mais radicais, ele se sente culpado e busca o perdão divino. Assim, ora ajoelha-se diante de Deus, ora celebra as delícias da vida
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3) O tema da passagem do tempo         

O homem barroco assume consciência integral no que se refere à fugacidade da vida humana (efemeridade): o tempo, veloz e avassalador, tudo destrói em sua passagem. Por outro lado, diante das coisas transitórias (instabilidade), surge a contradição: vivê-las, antes que terminem, ou renunciar ao passageiro e entregar-se à eternidade? 
             
4) Forma tumultuosa

O estilo barroco apresenta forma conturbada, decorrente da tensão causada pela oposição entre os princípios renascentistas e a ética cristã. Daí a frequente utilização de antíteses, paradoxos e inversões, estabelecendo uma forma contraditória, dilemática. Além disso, a utilização de interrogações revela as incertezas do homem barroco frente ao seu período e a inversão de frases a sua tentativa na conciliação dos elementos opostos.

5) Cultismo e conceptismo

O cultismo caracteriza-se pelo uso de linguagem rebuscada, culta, extravagante, repleta de jogos de palavras e do emprego abusivo de figuras de estilo, como a metáfora e a hipérbole. Veja um exemplo de poesia cultista:
Ao braço do Menino Jesus de Nossa Senhora das Maravilhas, A quem infiéis despedaçaram
O todo sem a parte não é todo;
A parte sem o todo não é parte;
Mas se a parte o faz todo, sendo parte,
Não se diga que é parte, sendo o todo. (Gregório de Matos)
Já o conceptismo, que ocorre principalmente na prosa, é marcado pelo jogo de ideias, de conceitos, seguindo um raciocínio lógico, nacionalista, que utiliza uma retórica aprimorada. A organização da frase obedece a uma ordem rigorosa, com o intuito de convencer e ensinar. Veja um exemplo de prosa conceptista:
Para um homem se ver a si mesmo são necessárias três coisas: olhos, espelho e luz. Se tem espelho e é cego, não se pode ver por falta de olhos; se tem espelhos e olhos, e é de noite, não se pode ver por falta de luz. Logo, há mister¹ luz, há mister espelho e há mister olhos. (Pe. Antônio Vieira)




AUTORES E OBRAS DE NOSSO BARROCO


BARROCO (SEISCENTISMO), de 1601 a 1768.
BENTO TEIXEIRA (1561-1600)


Poesia Épica: "Prosopopeia", obra publicada em Lisboa no ano de 1601; é considerada o marco inicial do Barroco literário no Brasil, e tida, por algum tempo, como o primeiro poema impresso de autor brasileiro. Entretanto, descobriu-se, mais tarde, que Bento Teixeira se passava por pernambucano, quando, na verdade, era natural da cidade do Porto (Portugal). Prosopopeia é de influência camoniana - a semelhança de Os Lusíadas -, composta com 94 estrofes de versos decassílabos em oitava heroica (AB, AB, AB, CC). Feita com a finalidade de louvar a D. Jorge de Albuquerque Coelho, donatário da Capitania de Pernambuco.

MANUEL BOTELHO DE OLIVEIRA (1636-1711)

Poesia: "Música do Parnaso" (coletânea de poemas) – obra publicada em Lisboa, em 1705. Dividida em quatro coros de rimas – portuguesas, castelhanas, italianas e latinas. Destaca-se o poema A Ilha da Maré e os sonetos dedicados à amada Anarda, sua musa soberana. Botelho foi o primeiro escritor nascido no Brasil a ter um livro publicado.

FREI MANOEL DE SANTA MARIA ITAPARICA (1704-?)

Poesia: "Eustáquidos" (1769) - Epopeia sacra e tragicômica poema sacro, sobre a vida de Santo Eustáquio. Nesta obra encontra-se a Descrição da Cidade da Ilha de Itaparica, apologia hiperbólica (exagerada) da paisagem brasileira.
PADRE ANTÔNIO VIEIRA (1608-1697)
Foi o maior pregador do seu tempo; defensor dos negros, dos índios e dos cristãos-novos (judeus convertidos). A defesa dos cristãos-novos e valeram-lhe o ódio da Inquisição que o processou por opiniões heréticas. Foi condenado a dois anos de reclusão em uma casa jesuítica e o impedimento de pregar. Anistiado por D. Pedro, regressou ao Brasil em 1681. Pertence tanto à nossa literatura quanto a portuguesa.
Sermão (quase duzentos).

 Os Principais são:


Þ "Sermão da Sexagésima" (parábola do semeador) - O mais importante e polêmico dos seus sermões. Foi pregado na Capela Real de Lisboa, em março de 1655. Compõe-se de 10 pequenos capítulos, baseado no Evangelho segundo São Lucas: Semen est verbum Dei (A semente é a palavra de Deus). Esse sermão critica o estilo de outros pregadores (seus adversários católicos, os gongóricos dominicanos) que ao invés de pregarem servindo a Deus, o fazem para agradar aos homens.

Þ "Sermão Pelo Bom Sucesso Das Armas De Portugal Contra As De Holanda" - Pregado na Igreja de Nossa Senhora da Ajuda, Bahia, em 1640. Vieira incita o povo a combater os invasores holandeses, realçando os horrores e depredações que eles fariam. O sermão ficou célebre pelo trecho conhecido como a "Apóstrofe Atrevida", onde questiona Deus, em pleno púlpito da igreja, com o Santíssimo Sacramento exposto: "Não me admiro tanto, Senhor, de que hajais de consentir semelhantes agravos e afrontas nas vossas imagens, pois já as permitistes em vosso sacratíssimo corpo; mas nas da Virgem Maria, nas de Vossa Santíssima Mãe, não sei como isto pode estar com a piedade e amor de Filho (...). Deus meu? (...). Sois o mesmo, ou és outro?". Se você tem interesse em "conhecer" a Apóstrofe Atrevida, clique Aqui!
Þ "Sermão de Santo Antônio" (aos Peixes) – Pregado em São Luís do Maranhão, em 1654. Vieira critica os costumes e o aprisionamento dos índios.

Cartas: cerca de quinhentas, versando sobre o relacionamento entre Portugal e Holanda, a Inquisição e as ações dos Jesuítas na colônia.
Profecia: "História do Futuro" e "Esperanças de Portugal". Publicados postumamente. Nestas obras, nota-se a defesa do sebastianismo – crença segundo a qual o rei D. Sebastião, não morrera em combate na África, voltaria em breve para elevar Portugal a uma posição de destaque.
[GREGÓRIO DE MATOS] GUERRA (1633-1693)
Apelido: Boca do Inferno (devido linguagem maliciosa e ferina com que criticava pessoas e instituições da época).

Advogado formado em direito pela universidade de Coimbra. Foi o mais importante poeta do Barroco Brasileiro.
Sua obra nunca foi publicada em vida, o que ocasionou muitos problemas de autoria. Permaneceu inédita até o século XX quando a Academia Brasileira de Letras publicou, entre 1923 e 1933, seis volumes: I. Poesia Sacra; II. Poesia Lírica; III. Poesia Graciosa; IV. e V. Poesia Satírica e VI. Últimas. 






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